Qual será o futuro de um país onde a educação está relegada ao segundo ou terceiro plano?

A alfabetização é o princípio de tudo. É o princípio do orgulho – quando uma criança se orgulha de ter aprendido a ler, de entender o que está escrito.
Da cidadania, quando a criança começa a ler e entender seu papel, entender que faz parte de um organismo maior chamado sociedade, na qual sua participação é fundamental para decidir o destino de todos e isso só se opera se ela for um leitor, se ela compreender o que se pode e deve fazer perante a lei, deveres e direitos.
O Brasil é por uma série de razões complexas e históricas, um país de não-leitores. Claro: somos um país de não-estudantes!
Em 2002, um quarto da população brasileira com mais de 10 anos de idade tinha menos de quatro anos de estudos completos: ou seja, são 32 milhões de analfabetos funcionais – votantes. Estatisticamente, o brasileiro não estuda, e quem não estuda não lê.
E sou totalmente a favor de programas de incentivo ao livro. O livro é um amigo, um objeto de fetiche, um companheiro, principalmente para as crianças, que já dificilmente vamos transformar adultos não-leitores em leitores. É uma grande briga grande, porque temos muitos recursos multimídia chamando as atenções de nossas crianças e a nossa também.
Distribuir livros mais baratos em nossas prateleiras e de iniciativas como bibliotecas nos metrôs ou máquinas para vender livros são positivas. Todo esforço ajuda, e cada um faz o que pode, é um trabalho de formiguinha – se você tornar formar um leitor, criança, jovem ou adulto pode se considerar um herói.
Mas não vai ser assim que vamos nos tornar um país de leitores. O que realmente precisamos fazer é a revolução educacional que aconteceu nos Estados Unidos e na Europa cinqüenta anos atrás, e em muitos países asiáticos logo em seguida. E aumentando o público potencial da literatura que o público real vai aumentar.
Educação é importante por tantos motivos que destacar seu papel para aumentar o público leitor pode parecer simplista. É pela educação que podemos reduzir a violência, dar força ao crescimento econômico e tornar o Brasil uma democracia decente.
Para que a literatura brasileira progrida é preciso educação. Ter mais leitores é só o começo. Mais leitores quer dizer mais diversidade de gosto e mais gente disposta a comprar livros, o que leva as editoras a publicar livros mais diversos e investir mais nos livros publicados, porque a recompensa – o lucro da literatura – seria maior. Se as editoras têm mais lucro, elas podem pagar melhor seus autores, o que quer dizer que mais autores podem viver do que escrevem e consagrar mais tempo à produção literária.
Todas as outras iniciativas, por louváveis ainda que paliativas. Porque sem alfabetização, nada anda, nada vai para frente, ou pode ser que vá apenas para um pequeno e seleto número de aproveitadores.
O que fazer para acabar com o analfabetismo de fato?
Fazer a sociedade entender, bem como os intelectuais de merda, os sabichões, aos cientistas, as donas de casa, os estudantes, os responsáveis e irresponsáveis pela política, por escândalos e outros desmandos, que o Brasil não vai ser uma nação enquanto não tiver educação – passando obrigatoriamente pela alfabetização de suas crianças e jovens.
Não precisa mover o mundo. E para quem já é alfabetizado, dê apoio.
Comece com sua casa – alfabetize e incentive seus filhos a ler.
Fale sobre livros com seus amigos, vizinhos, no trabalho. Incentive os que lêem pouco a ler mais e a ajudar os que não tem interesse. Dê um livro de presente, desligue a TV que só tem programas de merda e leia um livro de um tema qualquer que te agrade. Leia para os filhos, ajude na lição. Um ação simples como essa é muito grande, vai repercutir no futuro, vai acrescentar muito.
E divulgue essa idéia sempre!




1 resposta Até agora ↓
Doni // Abril 19, 2008 às 12:52 pm |
Também fiz meu texto sobre o analfabetismo, achei bem legal essa idéia de blogagem a respeito. Ah, preciso falar com vc. Entre no msn hora dessas.