O trânsito está insuportável aqui na Kassabilândia. Principalmente por isso, não há qualidade de vida, já que qualquer deslocamento na cidade é certeza de irritação e problema.

Não tem jeito, se você mora em São Paulo é refém da abusiva necessidade dos paulistanos de andar de carro até para ir na padaria, menos de 1 quarteirão de casa. O carro é praticamente um fetiche aqui, além da necessidade de estatus há comodidade em andar com seu possante, mesmo que ele fique mais tempo parado que andando.
O assunto é mais complexo, envolvendo desde o erro em adotar o modelo de desenvolvimento automobilístico nacional por volta da década de 50, até a falta de transporte público de qualidade, mas a realidade é nua e crua: São Paulo vai parar.
Especialistas afirmam que isso deva acontecer em 5 anos, o que me parece uma perspectiva muito otimista, isso já acontece hoje em alguns lugares. As opções para lidar com esse problema não são boas. Mesmo sem carros quebrados ou acidentes o transito em alguns pontos simplesmente não flui mais.
O bode expiatório da vez são os caminhões, mas toda São Paulo (na realidade, todo o país) depende deles para o abastecimento. Escolheremos entre parar a cidade pelo trânsito ou pela falta de abastecimento.
De fato os caminhões são um transtorno, muitos deviam ter outra forma de passar pela cidade sem usar, por exemplo, as marginais (um Rodoanel superfaturado e nunca terminado, quem sabe?) porém, dentro do modo de vida que levamos, será conveniente tirá-los de circulação e abarrotar a cidade com carros e veículos menores? Afinal, com nossa criatividade, é provável que os caminhões dêem lugar aos veículos menores para fazer o abastecimento e portanto vamos aumentar o número de unidades motoras na cidade o que não me parece um bom negócio.
Nessa semana precisei sair com minha filha e o trânsito era terrível, sem falar no desconforto da viagem de metrô e van. Por isso tenho certeza que a melhor coisa que fiz nos últimos anos, foi me mudar para próximo da empresa em que trabalho e tentar ao máximo fazer meus outros trabalhos via internet.
Hoje, levo certa de 12 minutos para chegar na empresa - a pé. O custo dessa decisão foi alto, mas toda vez que me pego choramingando por culpa dos gastos, lembro de quanta saúde mental economizo com isso, além de um certo conforto em morar em um bairro bom e desenvolvido.
É absolutamente estressante andar por São Paulo de carro e os transportes públicos são ineficientes. O Metrô se considera muito bom, mas a população não o considera tudo isso. A distorção das pesquisas de satisfação é simples de entender: o que é ruim com o Metrô fica pior sem ele.
Cheguei a ter o ombro deslocado com a lotação do Metrô, e após uma reclamação formal, recebi a resposta da ouvidora (atenciosa e cordadata), que em sua essência dizia: não temos o que fazer para resolver o problema da superlotação.
Como eu não sou a VEJA que “sabe a resposta para tudo” em São Paulo, fico na torcida para que um conjunto de ações da prefeitura/governo e quem sabe um pingo de bom senso da sociedade, ajudem a primeiro, amenizar o problema, depois resolver o problema, usando como exemplo casos que derem certo.
Bons exemplos certamente existem e a saída todos sabe: aumentar, ampliar e desenvolver o transporte coletivo.
Até lá, já pedi ao Papai Noel: não esqueça a minha Caloi. O maior investimento do ano depois do meu tratamento de canal será mesmo comprar uma bicke.
T§



2 respostas so far ↓
Gabs // Maio 17, 2008 às 12:42 am
Bem, eu tento te lembrar disso toda vez que vc reclama dos gastos, como bem disse acima…rsrsrs
Mas o MAIS gostoso de tudo é ter você chegando bem rapidinho em casa, numa sexta-feira à noite.
Não tem preço : )
Eu te amo.
Norberto Kawakami // Maio 17, 2008 às 3:48 am
Carro é fetiche da classe média. Ele já deixou de ser transporte para ser ostentação de status, haja vista a maioria deles transitar apenas com o motorista…
o negócio é começar a taxar quem quiser andar sozinho e quem quiser trafegar no centro expandido. E com essa grana aplicar no transporte público de qualidade.
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