Nação idiota é aquela em que os alunos saem da escola sem aprender a ler e escrever direito. Não há civilidade democrática que se construa a partir disso. Nesse sentido, somos uma nação idiotizada –e vamos ser por muito tempo. Há, porém, motivos para celebração, como este plano anunciado pelo governo federal para estimular a formação do professor.
O que se pretende é aprimorar a seleção de professor , além de aumentar a oferta e melhorar a qualidade dos cursos de formação nas universidades. É algo que vai ao encontro do anúncio do governo de São Paulo de obrigatoriedade de um curso antes de o professor, já aprovado em concurso, passar mais um tempo estudando. Estamos tocando na essência do nosso subdesenvolvimento: a baixa qualificação dos professores. Isso se deve a toda uma mobilização, crescente, da sociedade pelo ensino público. É o avanço político mais importante do país. Ainda é apenas o começo. Mas a verdade é que todas essas ideias só vão mesmo funcionar quando pudermos atrair os talentos da sociedade para dentro da escola.
Atrair significa a combinação de salário com reconhecimento social. Atrair talentos significa que uma comunidade coloca em primeiro lugar a qualificação de todos os seus integrantes, e não apenas da elite. A novidade é que nossa elite econômica não só aceita como se mobiliza a favor desse princípio tão simples. Por isso, que a tarefa de melhoria da educação só é comparável à abolição da escravatura.
Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.




2 respostas Até agora ↓
Márcia Alessandra // Junho 19, 2009 às 1:03 pm |
Um exemplo do que está sendo colocado em pauta no texto acima pode ser visto até mesmo em sites de relacionamento, quando eu ao visitar o perfil de uma pessoa que se diz ser um “educador” pude acompanhar frases escritas por um como “Que bom que você veio MIM visitar”, ou “Eu imprestei um livro de outro professor”.
Que futuro podemos esperar de nossas crianças se quem foi colocado para educá-las muitas vezes é mais ignorante que os alunos? Como um professor assim vai ter moral prá dizer que uma criança escreveu errado, se ele próprio não sabe escrever?
Tudo isso pode ser chamado de comodismo, pois através dos baixos salários e quase nenhum reconhecimento por parte dos governantes, quase nenhum professor sente necessidade de se aprimorar, o que julgo eu seja muito importante prá qualquer tipo de profissão.
Parabéns pelo texto!
Espero que um dia tudo isso possa mudar.
Juliana Cunha // Julho 7, 2009 às 8:02 pm |
Sou estudante estou no 3° ano do ensino médio, chega a ser inadmissivel a falta de formação dos educadores, cito um fato ocorrido mês passado, minha professora de sociologia estava falando sobre os “pobremas” da sociedade e o porque de o país não progredir em a questão a educação, disse a ela que era exatamente pelo fato de nós alunos não termos uma base sólida e pela má formação de profissionais. (O portugues dela é horrivel, tanto falado quanto escrito) ela, justifica-se dizendo que não importa a forma com que fala ou escreve mas a idéia que transmite aos alunos.
Ela tem plena consciencia de que precisa melhorar isso mas o que me parece é que não faz esforço algum! então me pergunto, como o profissional que aborda assuntos sociais, que quer ver uma sociedade melhor , um ensino melhor alunos mais interessados se não começa a agir partindo de seus erros admitindo e concertando o que faz de errado ao invez de dar uma simples desculpa de que nunca se expressou bem?